Musical inspirado no clássico “Domingo no Parque”, de Gilberto Gil, chega a Porto Alegre em julho

Porto Alegre receberá, nos dias 25 e 26 de julho, no Teatro FIERGS, o espetáculo “Domingo no Parque”, musical livremente inspirado em um dos maiores clássicos da música brasileira. Com direção e texto de Alexandre Reinecke e direção musical de Bem Gil, filho de Gilberto Gil, a montagem transforma em cena a canção que marcou a história da Tropicália, combinando teatro, música, dança e capoeira em uma narrativa que celebra a cultura afro-brasileira.

Aprovado pelo próprio Gilberto Gil e selecionado pelo edital Petrobras Cultural, o espetáculo revisita a obra apresentada pela primeira vez no histórico Festival da Música Popular Brasileira da TV Record, em 1967. Na época, “Domingo no Parque” revolucionou a música nacional ao unir elementos tradicionais brasileiros, como o berimbau e o violão, à guitarra elétrica dos Mutantes, tornando-se um dos marcos do movimento tropicalista.

Mais do que adaptar a famosa canção, o musical amplia seu universo para contar uma história ambientada em Salvador, no início da década de 1970, durante os anos da Ditadura Civil-Militar. Em meio ao contexto político e social da época, a trama acompanha os amigos João e José, que se encontram diariamente nas rodas de capoeira do bairro da Ribeira.

O equilíbrio entre amizade, amor e resistência começa a mudar quando José apresenta João à cantora Juliana. O reencontro desperta sentimentos do passado, já que os dois viveram um intenso romance interrompido quando João engravidou Juci. Enquanto tentava reconstruir sua vida, Juliana seguiu o sonho de cantar e passou a atuar nos movimentos de oposição ao regime militar, tornando-se alvo da vigilância das autoridades.

Ao longo da história, a capoeira deixa de ser apenas uma prática esportiva ou cultural para se tornar símbolo de identidade, resistência e liberdade. Drama, romance, humor e suspense conduzem a narrativa até o desfecho, que culmina em uma grande roda de capoeira embalada pela inesquecível canção de Gilberto Gil.

A montagem concretiza um projeto acalentado por Alexandre Reinecke durante três décadas. Apaixonado pela capoeira desde a adolescência, o diretor escreveu o primeiro esboço do musical ainda em 1995 e buscou pessoalmente a autorização de Gilberto Gil para desenvolver a obra. Com o aval do compositor, o projeto amadureceu ao longo dos anos até ganhar forma como sua 60ª direção teatral.

“Domingo no Parque” também se destaca pela força de sua trilha sonora. Ao todo, são 20 canções que ajudam a construir a narrativa. Além de dez composições de Gilberto Gil, o espetáculo reúne clássicos de Carlos Lyra, Dominguinhos e Anastácia, Dorival Caymmi, Jorge Ben Jor, Chico Buarque, Tom Jobim e Jackson do Pandeiro. A montagem ainda apresenta três músicas inéditas, compostas especialmente para o espetáculo por Alexandre Reinecke e Bem Gil.

Com um elenco majoritariamente negro, o musical evidencia a profunda influência da cultura afro-brasileira na formação da identidade nacional, valorizando manifestações como a capoeira, a religiosidade, a música, a dança, a culinária e os costumes populares em uma produção que une tradição, memória e contemporaneidade.

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