O publicitário e estrategista político Henrique Pereira lança nesta sexta-feira, 13 de março, em Porto Alegre, o livro Teia Popular – Soberania Digital: Para vencer esta guerra. A obra analisa a virada tecnopolítica global e apresenta um método prático voltado a sindicatos, mandatos, candidaturas e movimentos populares para enfrentar a dependência das grandes plataformas digitais.
O evento de lançamento ocorre às 19h, no SindBancários de Porto Alegre, e contará com um debate público entre Henrique Pereira, Sérgio Amadeu da Silveira, Raul Pont e Maria do Rosário (a confirmar). A atividade também terá transmissão ao vivo.
No livro, Henrique Pereira sustenta que as big techs deixaram de ser apenas empresas de inovação para se consolidarem como infraestruturas estratégicas de poder político, econômico, estatal e militar, organizando fluxos de informação, dados e a própria economia digital. A obra discute temas como economia da vigilância, manipulação emocional em escala e o avanço da inteligência artificial como novo estágio da assimetria comunicacional.
Na primeira parte, o autor argumenta que as redes sociais funcionam como um falso terreno de disputa, uma vez que não são espaços neutros de organização, mas ambientes moldados por algoritmos opacos e por interesses privados. Segundo ele, pressionada a evitar o apagamento, a comunicação popular passou a buscar visibilidade imediata, muitas vezes adaptando-se às regras das plataformas.
Henrique Pereira alerta, porém, que essa adaptação tática pode esconder um erro estratégico: reproduzir métodos semelhantes aos da direita digital, com foco em ataques a adversários e polêmicas superficiais, em detrimento de pautas propositivas e da formação de consciência de classe.
A proposta do livro não é abandonar as redes, mas redefinir seu papel. Em vez de servirem como moradia política, elas passam a atuar como instrumento de captação. É nesse contexto que surge o conceito de “tarrafa digital”: atrair contatos nas plataformas e conduzi-los para relações diretas, organizadas e verificáveis.
O prefácio é assinado por Sérgio Amadeu da Silveira, sociólogo, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC) e um dos principais pesquisadores brasileiros sobre tecnologia, poder e democracia digital. Ex-membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), Amadeu define a obra como “mais do que um livro — um método para a construção coletiva de resistência e soberania digital”, destacando a importância de construir infraestrutura própria diante da concentração das big techs.
Inspirado na pedagogia de Paulo Freire, o livro propõe tecer sete fios para construir um ecossistema organizativo. O método recebe o nome de INVERTER SETE e conduz ao conceito central da obra: a Teia Popular.
A ideia é promover uma insubordinação aos algoritmos, abandonando a dependência das métricas obscuras e migrando para ambientes verificáveis, nos quais as pessoas deixem de ser tratadas como números e passem a ser reconhecidas como sujeitos políticos, inseridos em relações de diálogo, escuta estruturada e vínculo continuado — sustentadas pela razão, pelo afeto e pelo pertencimento.
O método também propõe o desenvolvimento de tecnologia soberana para sustentar essa arquitetura organizativa. Quando diferentes organizações adotam o mesmo protocolo e interligam suas teias, forma-se, segundo o autor, um tecido cooperativo de resistência.
A obra se encerra com um chamado direto à ação: não esperar condições ideais para começar. Tecer, afirma Henrique Pereira, é um ato político — e a soberania digital popular começa agora.

