A Companhia de Dança Deborah Colker retorna ao palco do Teatro FIERGS para uma temporada especial e curtíssima de seu mais novo trabalho, “Remix”. Em estreia mundial, o público de Porto Alegre poderá assistir, em primeira mão, ao espetáculo nos dias 3 e 4 de abril. Os ingressos estão à venda no site Disk Ingressos.
A montagem reúne cenas icônicas de diferentes momentos da trajetória da companhia, extraídas de obras como “Vulcão” (1994), “Rota” (1997), “4×4” (2002) e “Belle” (2014). Entre os destaques estão coreografias marcantes, como os vasos suspensos e a emblemática roda gigante.
O lançamento acontece no embalo das comemorações pelos 30 anos da Companhia Deborah Colker. Após o sucesso de “Sagração” (2024), a coreógrafa Deborah Colker e o diretor executivo João Elias entenderam que este era o momento de revisitar o próprio repertório sob uma nova perspectiva, criando uma obra inédita a partir da memória e da identidade artística do grupo.
A ideia de “Remix” começou a tomar forma em 2025, quando Deborah recebeu o título de Cidadã Honorária de Mesquita, na Baixada Fluminense. Durante a cerimônia, uma exposição com a retrospectiva da companhia e uma apresentação de dança realizada por crianças despertaram uma reflexão sobre o legado construído ao longo dessas três décadas.
“Essa homenagem das crianças nos impactou e percebemos que nossas décadas de trabalho têm construído um legado. Era o momento de olhar para nossa própria história”, afirma João Elias, gaúcho e cofundador da companhia. “Porto Alegre sempre foi muito importante para nós, uma cidade onde vivemos ótimas histórias. É uma praça fundamental em nossas turnês. Estou e estamos muito felizes por fazer essa estreia na minha cidade.”
Para Deborah Colker, o espetáculo também revela uma dimensão mais íntima. “Desde 2024, venho enfrentando duras batalhas na vida pessoal que me forçaram a olhar ainda mais para dentro de casa. Minha família e a Companhia são a minha vida”, destaca a coreógrafa. “Seguindo esse fluxo, foi muito natural revisitar a nossa própria trajetória.”
Ela ressalta ainda que, embora reúna trechos de diferentes obras, “Remix” apresenta uma experiência inédita. “Como toda obra de arte — um livro que você relê, uma música que você escuta novamente, um filme que você revê — o público vai sentir novas emoções com ‘Remix’.”
João Elias também chama atenção para a dramaturgia do espetáculo, assinada por ele. “São dois atos com emoções distintas. No primeiro, o público encontra sentimentos mais densos e explosivos. No segundo, surgem a alegria e a leveza.” E reforça: “É a produção mais ousada da companhia para os palcos. São toneladas de equipamentos, muitas pessoas envolvidas e uma grande estrutura de montagem.”
A equipe criativa reúne nomes fundamentais da trajetória da companhia. A cenografia é assinada por Gringo Cardia, responsável pelos cenários originais. Os figurinos ficam a cargo de Claudia Kopke, que atualiza os trabalhos criados por Yamê Reis e Samuel Cirnansck. Berna Ceppas conduz a fusão da trilha sonora, enquanto a adaptação dos projetos de iluminação, a partir dos originais de Jorginho de Carvalho, foi desenvolvida por Eduardo Rangel.
“Remix” é o terceiro projeto especial da companhia a revisitar seu próprio repertório, após “Mix” (1995) e “Vero” (2016). A diferença, desta vez, está na dramaturgia concebida em dois atos, que organiza o espetáculo como uma nova obra, e não apenas como uma reunião de trechos.
No palco, 16 bailarinos interpretam, na primeira metade, as coreografias “Paixão”, de Vulcão (1994), a cena da cortina de Belle (2014) e os vasos de 4×4 (2002), acompanhados pelo solo de piano executado pela pianista Patrícia Glatzl ou, quando a agenda permitir, pela própria Deborah Colker. O encerramento fica por conta das coreografias “Gravidade” e “Roda”, do espetáculo Rota (1997).

