O Planeta Atlântida chega aos 30 anos de história em 2026 reafirmando sua posição como um dos festivais de música mais tradicionais e relevantes do país. Criado em 1996, o evento atravessou gerações, transformações do mercado musical e mudanças de comportamento do público, mantendo-se praticamente ininterrupto ao longo de três décadas, um feito raro no cenário brasileiro.
Para Gustavo Sirotsky, diretor artístico do festival, a longevidade do Planeta é motivo de orgulho e emoção.
“É muita emoção chegar a um marco de 30 anos de um festival — tirando o contexto da pandemia — que acontece ininterruptamente desde 1996. Acho que, partindo desse princípio, o Planeta é um dos pouquíssimos festivais que têm esse nível de recorrência”, afirma.
Segundo Gustavo, alcançar três décadas de existência vai além de números e datas: representa a capacidade do evento de se manter conectado a diferentes gerações de público.
“Atravessamos gerações, isso é muito gratificante, nos enche o peito de motivação e de energia para que a gente possa estar cada vez mais produzindo música e proporcionando dias incríveis.”
Renovação como pilar do festival
A permanência do Planeta Atlântida no topo dos grandes festivais brasileiros está diretamente ligada à sua capacidade de se reinventar. Gustavo explica que as estratégias atuais são completamente diferentes das utilizadas nas décadas passadas.
“Os botões que apertamos hoje para produzir o festival não são os mesmos dos anos 90 ou do início dos anos 2000. Hoje, essa busca pelo line-up ideal se verticalizou, tornou-se muito mais ampla.”
Na prática, essa renovação envolve o cruzamento de dados de consumo musical, comportamento de público, tendências digitais e escuta ativa das novas gerações, permitindo ao festival antecipar movimentos da cena e construir programações que dialogam tanto com o público fiel quanto com novos frequentadores.

A força de um line-up eclético
Um dos grandes diferenciais do Planeta Atlântida ao longo de sua história sempre foi a diversidade musical. Desde o início, o festival transitou por diferentes estilos, acompanhando as transformações do mercado e do gosto do público.
“O Planeta nasce com uma essência bastante rock/pop. Se olharmos as primeiras edições, em 1996, vemos Rita Lee, Mamonas Assassinas, Tim Maia.”
Hoje, o festival segue conectado aos artistas que dominam o streaming e as redes sociais. Nesta edição, o evento contará com apresentações de nomes como Anitta, Alok, Ludmilla, Matuê, Luísa Sonza, Veigh, WIU e João Gomes.
Além da diversidade de estilos, os encontros inéditos se tornaram uma marca registrada.
“Sempre valorizamos encontros no palco. Somos um dos raros festivais que colocou Jota Quest e Skank juntos. No início da carreira do Vitor Kley, ele foi convidado para tocar com o Armandinho no Planeta, e depois a história fala por si.”
Presença internacional e valorização da música brasileira
Ao longo de sua trajetória, o Planeta Atlântida também recebeu grandes nomes internacionais, como The Offspring, Wiz Khalifa, Jason Mraz e Phoenix. Nos últimos anos, no entanto, o foco maior esteve na música brasileira, muito por conta do cenário econômico global.
“Não é uma premissa ter 100% de talento nacional. Ao longo de 2025 olhamos diversas oportunidades internacionais, mas hoje a relação econômica e cambial precisa fazer sentido.”
Ao mesmo tempo, Gustavo destaca o momento histórico vivido pela música nacional.
“Nunca exportamos tanta música brasileira para o mundo. A latinidade nunca esteve tão presente globalmente. Artistas brasileiros hoje passam grande parte do ano fora do país. Isso é motivo de orgulho.”

Um festival que vai além da música
Desde sua primeira edição, o Planeta Atlântida sempre apostou em experiências que extrapolam os shows. Nos últimos anos, essa proposta se expandiu para áreas como gastronomia e hospitalidade premium. Para Gustavo, o conceito multiatrativo não é uma tendência recente, mas parte do DNA do festival.
“Desde 1996 tivemos bungee jumping, vale-tudo, futebol de sabão, kart. Depois ações do UFC, espaços de outros segmentos musicais. Se conseguirmos entregar esse serviço 360 graus, entregamos um parque cada vez melhor. Esse conceito sempre existiu e seguirá firme nos próximos anos.”
Ao completar 30 anos, o Planeta Atlântida se consolida não apenas como um festival de música, mas como um reflexo das transformações culturais do país. Com um olhar atento às novas gerações, valorização da música brasileira e constante reinvenção de formatos e experiências, o evento segue reafirmando seu protagonismo no calendário nacional. provando que tradição e inovação podem caminhar juntas na construção de um dos maiores festivais do Brasil.

