Foco automático.

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Então vamos lá, para mais uma reflexão realística acerca da situação em que se encontra o nosso querido Mercado da Música e seus amigos Sr. Entretenimento e a Dona Cultura.

Bem, amiguinhos, a coisa ta russa. Na verdade, to preferindo dizer que a “coisa ta síria”!

Não. Eu  não estou exagerando. Eu sou exagerado. Esqueceram? Mas vamos lá.

Estou aqui pensando, será que alguém vai ler isso? Pergunto porque, hoje em dia, o ser humano não anda com muita paciência pra muita coisa. Temos tantas opções que, ficar muito tempo focado em uma coisa só, parece uma perda de tempo enorme. Não é? Bem, vou tentar ser breve. Afinal, tem tantos bichinhos engraçadinhos, tretas pessoais e páginas zoadas no seu Facebook, que não me atrevo a tomar muito o seu tempo pra falar de música, mercado fonográfico e arte.

Relembrando o que eu disse nas últimas colunas, a futilidade e o imediatismo, não nos permite mais desenvolver práticas de consumo de música e cultura. Não um consumo que movimente o capital e o mercado ou que permita aos profissionais do ramo, viverem disso. A gente tem pressa e a gente quer de graça.

Vamos focar mais na música. Pra isso, pense no final do processo todo que são, os meios de consumo. Os meios tradicionais estão morrendo. As emissoras de rádio que tocam música, estão definhando. Cada vez se escuta menos músicas nas rádios. As emissoras de TV por sua vez, cada vez menos, utilizam programações musicais em suas grades. Espaços para bandas tocarem ao vivo estão sendo extintos. Relembre comigo alguns fatos recentes.

A Rádio Ipanema, pertencente ao Grupo Bandeirantes, não mais transmite sua programação no FM. Ela abriu espaço para a Rádio Bandeirantes AM, que transmite noticiários diariamente.

A Rádio Pop Rock, que pertencia à Ulbra (Universidade Luterana do Brasil) foi absorvida pela MIX TV do Grupo Objetivo, e virou Rádio Mix. Integra hoje uma rede com programação nacional e alguns raros programas locais. Creio que em torno de 20% da programação aqui no Rio Grande do Sul.

A Rádio Liberdade, que tocava música nativista, abriu espaço no dial pra Rádio Grenal, que é focada em notícias futebolísticas de Grêmio e Inter. Ela opera agora na freqüência 96.7 e pertence ao Grupo Pampa de Comunicação.

E as TVs? A TVE (TV Educativa) e a Radio FM Cultura, correm o risco de sair do ar. Estas por questões administrativas e falta de bom senso do Governo do Estado do RS. O Prédio onde operam as emissoras, pertence ao INSS. Parece que há um impasse na locação do imóvel e claro, uma má vontade do Governo em resolver a questão. Muitos afirmam que existem mais de 1500 prédios públicos que poderiam ser oferecidos em uma possível permuta. Mas vamos ser francos? Se as emissoras dessem audiência e retorno ao governo, o mesmo já teria dado jeito.

A MTV (Music Television), pertencente ao Grupo Abril, desistiu da programação musical e se voltou para as séries (diga-se de passagem, muito ruins) e para os reality shows. Em raros momentos, são exibidos os “Playlists”, que nada mais são, do que alguns clipes perdidos na programação.

A baixa mais recente nas emissoras, fica por conta da Rádio Cidade, que pertence ao Grupo RBS. Conseguem imaginar a Rádio Cidade saindo do ar? Pois é. Mesmo um grupo rico como a RBS, resolveu largar de mão este papo de tocar música pro ouvinte e decidiu que, colocar notícias sangrentas nos ouvidos das pessoas, é muito mais vantajoso. A partir do dia 20 de setembro de 2015, a Rádio Farroupilha AM passa a ocupar de vez o lugar da Rádio Cidade, transmitindo o seu jornalismo sensacionalista pelo 92.1 FM.

Cara, a Rádio Cidade vai sair do ar! A Rádio Cidade! Um dos ícones da música Pop grudenta e vendida.  O canal máximo do povão! Onde tocavam todas aquelas canções mais jabazentas e de gosto duvidoso, que o povo adora e que enchiam o bolso do artista e do radialista com a “mascada, com o Louva Deus, com o Carpinejar”.

Eu ouvia Love Songs quando tinha meus 10 anos, imaginando quando ia beijar a primeira vez. A casa caiu!

E as TVs fechadas? As populares “TVs à Cabo”? Mais de cem canais pra gente “zapear”, olhar um pouquinho de cada coisa e não assistir a nada. A tv por assinatura tomou um baque com o NETFLIX. Vamos convir que é muito melhor passar a olhar aquele menu com tantas opções “legais” e no fim, nem assistir nada.

Feliz é minha mãe que tem TV por Assinatura mas só assiste  Globo e Record (até porquê, o SBT do Silvio Santos tomou um toco bonito da emissora do pastor Edir Macedo. Deus é mai$).

E olha que paradoxos! Todas estas engrenagens vitais que citei acima, pagavam as contas e giravam a roda. Permitiam que se gerasse consumo de música, de discos, de clipes, de shows, souvenirs e claro, estimulava o surgimento de bandas novas.

O dinheiro injetado pelas Gravadoras e pelas produtoras, fazia com que existisse esta indústria e fosse possível um comércio e assim, existissem hábitos e práticas de consumo.

“Liberdade! Morte às gravadoras! Comércio livre! Democratização dos meios!”

Eu juro que não sei qual o certo nisso tudo. Você se sentia enganado, sabendo que alguém estava pagando pra tocar, dezenas de vezes, determinada canção em determinado horário? E que este artista pagava pra participar de programas de TV como o Faustão? Que uma banda pagava para uma emissora, para ir receber um Disco de Ouro num programa determinado?

Onde você era lesado nisso? Bem, talvez na imposição. Mas e pra você que faz música? “Ah, não é justo! Quero que toque minha música na rádio sem eu precisar pagar!” Okay! Mas e você produz um bom trabalho e realiza uma grande produção? Grava em um bom estúdio assessorado por um grande profissional? Sua música tem procura? Seus amigos são apreciadores de seu trabalho? Já reparou quando você posta uma música no seu perfil do Facebook, a quantidade de “likes” que você ganha? Vou além. Quantos “plays” de fato? Eu respondo. Muito menos que o cachorrinho fofo que late igual bebê! Mas e como isso, se você tem mais de mil amigos?

As vezes, ter muitas opções é complicado e lamento dizer, tomar a atenção de alguém de forma livre, é muito difícil. É, amigo. Não subestime o poder de um gatinho fofo.

Mas existem boas opções na internet. As rádio web estão aí. São inúmeras opções de programações. Muitas são caseiras e vem sendo transmitidas de servidores espalhados pelo mundo. Talvez você estranhe muitas delas no início. Afinal, a maioria são rádios com baixos investimentos, geridas por pessoas comuns que fazem a coisa acontecer na base da vontade. Mas esta também é a parte legal de tudo isso. É orgânico e verdadeiro. Deixo como dica aqui as excelentes Dinâmico FM e Putzgrila de Porto Alegre. Ah, e minha favorita, a JazzRadio.com. Como o nome diz, toca só JAZZ. E lembrando que a Radio Ipanema funciona pela internet. Se estiver com saudade, acessa lá.

Mas então queridos, onde eu quero chegar? Eu juro que não sei. Até porque, ta passando Resident Evil 2 no Space HD, vai começar uma série que eu gosto na Warner, eu estou ouvindo Asian Dub Foundation no note. Além disso, vai dar um VT do Grêmio x São Paulo na SporTV e meu inbox ta piscando aqui. E eu ainda nem respondi minhas mensagens do Whatsapp. Ah não! Simpsons na Fox?

E eu aqui escrevendo um baita texto? Que perda de tempo. Desculpe se te fiz ler tanto. Mas se puder, pense nisso tudo e se atreva a ter foco em algo.

 

Abaixo seguem os links pra você exercitar a cultura democrática e gratuita.

 

 

Até a próxima.

 

Dinâmico FM

www.dinamico.com.br

 

Putzgrila

www.radioputzgrila.com.br

 

Ipanema

www.ipanema.uol.com.br

 

JazzRadio.Com

www.jazzradio.com

 

OBS: Não cobrei nada pra citar os veículos de comunicação. Talvez devesse. Rá!

 

OBS2: Procure Asian Dub Foundation no youtube.83146_18_zoom_180

Xala Man

Cássio Abreu ou Xalaman é empresário, proprietário do Estúdio e Produtora Navarro. Agitador cultural, músico, compositor, além de Técnico em Eletrônica e Guia de Turismo Nacional. Atuou por mais de uma década como Roadie de diversas bandas do cenário gaúcho e também como operador de áudio em rádios e TVs do Estado. Cursou Jornalismo na Universidade do Vale dos Sinos e áudio no Instituto Gaúcho do Áudio Profissional.