Os Exterminadores de Futuro

Olá, amigos. Cá estamos de novo para continuar a explanação sobre o cenário Apocalíptico em que se encontra o Mercado da Música.

Mas fiquem tranqüilos. A minha idéia não é alarmar e nem plantar a Terra Devastada. Até porquê, ainda não está tudo acabado. Creio que vai piorar muito antes do fim.

Bem, como disse na primeira coluna, enxergo duas realidades no cenário: Um Mundo Real e a Matrix. (confira o texto da coluna anterior no Box a direita)

Vimos que a tecnologia norteia as nossas vidas. Com isso, tudo é mais rápido e o imediatismo dá a tônica da exigência.

O Italiano Matteo Suzzi, de Imola, na Itália criou um Robô Músico.

A era digital trouxe avanços incríveis às nossas vidas, em todos os setores.  Avanços estes, que nos pouparam inúmeras tarefas e claro, pouparam nosso tempo. Bendito código binário.

No século XX houve ganho de popularidade do rádio pelo mundo e novas mídias e tecnologias foram desenvolvidas para gravar, capturar, reproduzir e distribuir música. Com a gravação e distribuição, tornou-se possível aos artistas da música ganharem rapidamente fama. As apresentações tornaram-se cada vez mais visuais com a transmissão e gravação de vídeos musicais e concertos. Música de todo gênero tornou-se cada vez mais portátil.

A música do século XX trouxe nova liberdade e maior experimentação com novos gêneros musicais e formas que desafiaram os dogmas de períodos anteriores. A invenção e disseminação dos instrumentos musicais eletrônicos e do sintetizador em meados do século, revolucionaram a música popular e aceleraram o desenvolvimento de novas formas de música. Os sons de diferentes continentes começaram a se fundir de alguma forma.

A era digital revolucionou o Mercado. Novos Softwares e plugins surgiram para “simular” diversas situações. É possível simular timbres de pianos e teclados; amplificadores e caixas de guitarra e baixo; timbres de bateria, tipos de microfones e qualquer instrumento que você imaginar. Sim! Qualquer um!

Os chamados “Instrumentos Virtuais” são utilizados para se fazer de conta que está no domínio do instrumento real.

É possível, por exemplo, simular uma bateria de tal modelo e marca e executar as batidas, ou trechos dela, com a ajuda de um teclado controlador ou mesmo de um mouse.

Engraçado, é que a simulação ajudou aos dissimulados a simularem também que têm talento. Além do mais, as Edições (a grosso modo, o recorta e cola) além de uma rotina, viraram regra. Hoje, o “músico” consegue executar pequenos trechos de uma música e recortar e colar quantas vezes quiser. Ou seja, não é necessário tocar muito.

E as vozes? Bem, cantar também não é mais problema. Plugins simulam afinações e corrigem imperfeições na execução de uma maneira milagrosa.

Eu ouso dizer que 60% da música que você escuta hoje em dia, não é executada organicamente pelos “músicos”, com instrumentos reais, em estúdios reais.

E esta tecnologia, citada acima, está disponível à todos, de maneira gratuita. Basta baixar na internet softwares e plugins diversos para simulações infinitas.

Hoje em dia, gravar é barato. Logo, a música é barata, mas não é nenhum barato. A música é descartável e, muitas vezes, sem um grande valor. Ela anda chata, repetida e copiada. Até porquê, qual o valor de uma música, se baixamos ela de graça pra “dar uma ouvida”? Quem aqui compra música pra consumir? Ainda mais sabendo como a música é feita, vai pagar por uma propaganda enganosa? Acho que não, né?

Então, juntando tudo que eu disse, nestas duas colunas, sobre: O cenário da Música Mundial; O Mercado da Música; as Técnicas de produção; as ferramentas de simulação, os modos e meios  de consumo de música; a exigência do usuário/cliente; as facilidades em se produzir música e a urgência e rapidez em se consumir, levo a crer que o mundo da música será dominado pelas máquinas.

Muitos dirão: “Ah, mas sempre vamos precisar de homens para operar as máquinas!” Claro que vamos. Será necessário alguém pra colocar o cartão de crédito e escolher:

Ritmo – Rock + Pop

Estilo – Clássico + Emo + Metal + Scream

Tom – A ou aleatório

Letra/TAGs – amor, ódio, coração, seu, meu, volte, lutar.

Instrumentos – Bateria + Baixo + Guitarra + Teclado + Percussão + Vocais.

PLAY

Mas vamos dar um exemplo prático? Já ouviram falar em Teclados Arranjadores? Se não sabem, dêem uma “Googleada”. A dominação das máquinas já havia começado e vocês nem se deram conta.

Tá bom! A música não vai acabar e nem os músicos. Até porquê, nós estamos aqui pra não deixar os Exterminadores do Futuro nos destruírem, certo?

Então, Senhores e Senhoras Connor e molecada Neo e Trinity, vamos frear a rebelião das máquinas? Pensem nos Transformers. As máquinas podem ser amigas. Basta que não deixemos  tudo por conta delas.

Matriculem-se em uma aula de música. Estude em uma Escola de Áudio e, acima de tudo, se inspire nos melhores! Nada de tirar por base ou ter como influência, alguém que “dá pro gasto”.

Escolha seus ídolos pela autenticidade e pelo talento, não pela fama ou pelo sucesso.

Teu norte deve ser o melhor e o real e não, o parecido ou o músico que dá pro gasto.

Vamos selar este trato? Menos virtualismo e mais virtuosismo?

Quer se inspirar mesmo? Se inspire no Neo e na Sara Conner e não no Agent Smith .

Log out! Turf Off!

Xala Man

Cássio Abreu ou Xalaman é empresário, proprietário do Estúdio e Produtora Navarro. Agitador cultural, músico, compositor, além de Técnico em Eletrônica e Guia de Turismo Nacional. Atuou por mais de uma década como Roadie de diversas bandas do cenário gaúcho e também como operador de áudio em rádios e TVs do Estado. Cursou Jornalismo na Universidade do Vale dos Sinos e áudio no Instituto Gaúcho do Áudio Profissional.