TOMATE SECO-NÃO É PRECISO SER MODERNO PRA SER F#****A

Eu gosto de samba desde a minha adolescência. Meus pais fazem parte de escolas de samba. Minha mãe (Lurdinha) é costureira de carnaval e mãe das auroras. Mas o que me levou  a descobrir o samba como força vital da música brasileira, foram bandas como Picassos Falsos, Fellini, Vzyadoq Moe, VirnaLlisi, Chance. Acho que qualquer letrista que escreva em português deve ouvir samba, pra sacar a naturalidade das palavras. A força, a dor das palavras.

A festa das palavras. Cantar no diminutivo não basta. É preciso um pouco mais de alma. A SILÉSTE,  uma das bandas  em que canto, sempre teve o samba como referência, de forma simples, não estudiosa nem forçada. E, SIM, há belas bandas fazendo MIXturas hoje em dia. Bem, por que todo esse papo, se pretendo falar da TOMATE SECO, de Sapiranga? Por que a TOMATE SECO tá pouco se dando pra tudo isso. Está pouco se dando pra misturas de rock com samba e MPB, que parece ser a tônica da, como dizer…música jovem(?), atual. É Grunge. É rock alternativo, derivado do rock alternativo americano dos anos 90. É sujo, é berrado/desafinado, cru e sincero. Muito sincero. TÃO SINCERO QUE CHEGA MACHUCAR. Fazem shows doidos, longe de serem convencionais.

É como ver um machucado se tornar cicatriz. É uma banda que apenas cria, sem se preocupar em ser moderna ou aceita. Na verdade, é uma banda fora do mainstream underground, por ser visceral no som e no texto. Moisés Lopes é um belo letrista, que, falando de si, fala de uma juventude longe do bom gosto, longe das regras que a “nova juventude descolada” se impõe. Fala do jovem adulto não bacana, não legal, não cool. Ainda existe esse tipo de gente. E existem bandas que ainda falam com e para essa gente. Sempre haverá. A banda que tem como base Moisés Lopes, Guilherme Theo(um dos grandes poetas underground que ainda vive) e Luciano Muniz foram várias formações),está terminando de mixar um EP, que conta com a guitarra pixiana de Felipe Beltramello e a produção de CRIS SPANIOL (SILÉSTE, DORA MAAAR, VIANA MOOG). Sairá pelo selo : -MENOS e TS Produções.

Everton Cidade

Everton Luiz Cidade é poeta. Autor de Santo Pó/P, O Bonde Transmutóide e QuiÓ. É vocalista da banda Siléste.