DE QUANDO O DUENDE DA MORTE TOCOU LORCA

GUARDA TEU CEUZINHO NO PEITO

ASSIM QUE MORREMOS TUDO É REFEITO

ÉRAMOS CRIANÇAS CONTRATADAS

PRA EXIBIR NOSSOS DEFEITOS

ERAS BELO MENINO

ENTRE O VERDE E O DIVINO

DANDO PÃO E TULIPAS

À GIRA DAS POMBAS

NA MÁQUINA DE COSTURAR SOMBRAS

QUANDO A LUA CORTADA EM SANGUE

DEU UM AI DE INSTITIVO CARINHO

E SANTOS ABRIRAM ASAS EM TUAS COSTAS DE MANSINHO

ENQUANTO CHAMAVAS MÃEZINHA

PEDINDO LEITE PARA O LUTO

TEUS PÉS COM O S CRAVOS DE UM SÓ TEU JUDAS/JESUS JUSTO

E PERCEBESTE O AMOR COMO UM SUSTO

E SE FEZ INFINITO AO SE PERCEBER FEMININO

ESPOSINHO GENTIL DOS COLIBRIS

COM A MUSCULATURA DE UMA AGULHA

TEU PARAÍSO UNA MANÃNA EM MANHATÃ

E TE AMO-COMO WHITMAN OFERECIA AMOR AOS SOLDADOS COMBALIDOS

OFERICIAS AMOR AOS EXPATRIADOS E EXCLUÍDOS

E TE AMO-SEI QUE VISTE NO TEU ÚLTIMO DIA O ESPÍRITO SANTO COMO UM MANGUSTO

OU MUSSARANHO ASTUTO

E SEI QUE PREFERIAS TER MORRIDO SOZINHO.

 

Para Thiago Silva

Everton Cidade

Everton Luiz Cidade é poeta. Autor de Santo Pó/P, O Bonde Transmutóide e QuiÓ. É vocalista da banda Siléste.