BETO BELA BALA

O RELÓGIO CELEBRA

A MANHÃ

DE ACORDAR

COM FOME

E DÓ DA IRMÃ

QUE TÃO POUCO COME

QUE SE CONSOME

MAS DE NOITE

TEM O BAILE

E A GENTE

SE ALEGRA

REQUEBRA

E ESQUECE

QUE A DOR

É UMA REGRA

QUE A VIDA

NOS ENCARREGA

EMERGIR DO AMOR

COMO SE DISSIPA

O GÁS DA COCA-COLA

OU A FUMAÇA DO FUMINHO

DO AMIGO DA ESCOLA

O MESMO QUE NO FUTEBOL

ELE ENTROU DE SOLA

A PRIMEIRA VEZ QUE ELE VIU

ALGUÉM MORRER

FOI NESSE CAMPINHO

SEU PRIMO –MORTO COM FAQUINHA DE SERRA

ELE TEVE MELHOR SORTE

MAS GENTE POBRE, MESMO QUANDO ACERTA, ERRA

IGUAL MOSQUINHAS DA FRUTA

É O APODRECIMENTO DAS COISAS BELAS

QUE A GENTE ESPERA

LESERA DE LUTA

ANJO DE LUMINOL

COMO DIZ SUA MÃE

DIZENDO O ÓBVIO

“- PRA GENTE POBRE, NÃO EXISTE PÓDIO!”

Everton Cidade

Everton Luiz Cidade é poeta. Autor de Santo Pó/P, O Bonde Transmutóide e QuiÓ. É vocalista da banda Siléste.