NÃO DESENGANE-ME – por Everton Luiz Cidade

NÃO EU NÃO SABERIA NIVELAR EM NUVEM

O RUÍDO DE UMA RÃ PENDENDO DE SEU GALHINHO

ONDE FAZIA BARRA

NÃO SABERIA DE OUVIDO EM QUAL MARGEM

SUA LARINGE DESATARRA

NEM TAL SONZINHO ME LEVARIA EM VIAGEM

NÃO SOU UM ELEMENTAL

NO GRANDE JARDIM

SOU UM ESPÍRITO FAMINTO

NÃO SOU BUDA SOU MARA

O INÍCIO O DESPERDÍCIO E O FIM

MEU OURO UNIVERSAL

NÃO PERTENCE A MIM

NÃO ESTÁ QUIMICAMENTE

OU MENTALMENTE EM MIM

TUDO QUE TENHO

A TI PERTENCE

PRA ONDE VOU PRA ONDE VENHO

TUDO A TI PERTENCE

NEM MEU DESEMPENHO

NESSE PLANO CIRCENSE

ME PERTENCE

UMA AURÉOLA DE CÓLERA

DEGENERA

UMA AURA ARCANJA REGENERA

MEU ORGANISMO ESPERA

COMO QUEM JÁ ESTEVE NA GUERRA

COMO QUEM JÁ TEVE UM INFARTO

COMO QUEM ESTÁ FARTO DE SER GRATO

COMO QUEM JÁ ERA UM FARDO

EM OUTRAS ERAS

COM OS NERVOS COMO QUEM PRESSENTE

O ATAQUE DE UM LEOPARDO

EU ME ERGO FORTE NO MORMAÇO DA MANHÃ QUENTE

EU PERMANEÇO GRAÇAS AO MEU SANGUE ESPESSO

POR QUE A NOITE VORAZ ME PERTENCE E ME ENGRANDECE

EU PARTO COMO SE FICASSE

-SIGO EM ÊXTASE-

 

EVERTON LUIZ CIDADE

Everton Cidade

Everton Luiz Cidade é poeta. Autor de Santo Pó/P, O Bonde Transmutóide e QuiÓ. É vocalista da banda Siléste.