Ana e Vitória | Crítica

Critica

O filme Ana e Vitoria entrega exatamente o que se propõe, uma comédia romântica sobre relacionamentos modernos, com uma verdade absoluta sobre a vida dos adolescentes viciados em smartphones e relacionamentos inseguros.

Passando rapidamente pela história do filme, ele conta a história (mais fictícia, do que baseados em fatos reais) de Ana Caetano e Vitória Falcão. Elas se encontram em uma festa e acabam criando laços, que faz com que elas decidam cantar juntas.

Pra conseguir conversar com o público o roteiro nos guia com diálogos e conflitos muito comuns, e atuais na vida dos adolescentes e também de alguns adultos, usando muito o relacionamentos das duas como a maior linha de conflitos e tramas, deixando um pouco a carreira de lado. Pontos como gestão e produção musical, coisas que seriam muito interessante estar no filme, já que a carreira delas é muito bem dirigida pelo Felipe Simas, que também gere a do Tiago Iorc, poderiam ter sido abordados com mais profundidade.

Outro ponto importante do roteiro, foi a abordagem da sexualidade no filme, o trato natural da liberdade de escolha entre com quem fica, seja menino ou menina, sendo guiada apenas pelo desejo do momento, das duas, nos traz um tom de inquietude pela anormalidade que o Mundo, hoje, trata essas questões, se só o amor ou o desejo basta para sermos felizes com que quisermos, porque existe ainda muito ódio pelas relações entre gêneros?

O tom de comédia do filme foi muito bem acertado, os filmes brasileiros tem a tendência de exagerar na comédia. E nesse filme, é quase que natural, diria até imperceptível, porque é inerente as duas cantoras, e não aos personagens, elas são engraçadas, por serem, inseguras, tímidas, de cidade pequena, e isso em conflito com o cotidiano de cidade grande e dos costumes comuns das capitais, cria um choque muito saudável que nos faz rir quase o filme todo, mesmo nas cenas mais tristes.

A única questão que ponho em cheque e que me incomodou um pouco são as passagens de tempo, acho que a falta de um final explícito na história, tendo em vista de que, o que elas começaram no filme, mal começou na vida real de fato, acabamos não tendo um desfecho, fica apenas um "até breve".

A linguagem do uso de animações da telas do celulares misturadas as cenas é muito bem trabalhada e as transições suaves de entradas e de saída, faz com que acabe aproximando ainda mais o público, criando uma zona de conforto pro telespectador, trazendo algo comum do cotidiano pra dentro do filme. Até o modus operandi de algumas redes sociais são trabalhados pra se criar uma relação de empatia com o espectador trazendo ele ainda mais pra dentro do filme, repetindo pensamentos e ações que todos mundo já fez, e que elas expõe isso de uma forma muito natural.

O lado musical do filme ficou muito mais pra Ana que pra Vitória, já que Ana foi quem compôs o primeiro disco do Duo. As interações musicais de Ana com a Cecília (Clarissa Müller), são muito interessantes e cada situação entre elas mais dramática, acontece um musical, que conta a história de cada música.

O filme foi bem dirigido pelo Matheus Souza, os atores conseguiram entregar o que precisava e as duas conseguiram imprimir a sua verdade dentro de cada detalhe que cabia a elas resolver. É como se realmente elas tivessem vivendo a vida delas ali naquele filme.

Acho que apesar de ser um filme que tem tudo pra ser mais um projeto comercial do que uma necessidade artística, ele tem o que precisa pra um entretenimento e umas boas risadas, além de uma trilha sonora excelente. Ana e Vitória conseguiram representar milhares de adolescente dentro das suas inquietudes, inseguranças e amores. E o que mais eu tiro desse filme é que é importante, chorar, ter seus medos e sua dúvidas, mas também é importante acreditar, se atirar de vez em quando, valorizar os amigos e amar sem pudor.