The Alienist – 1º temporada

Critica

The Alienist não é uma série sobre saber quem é o assassino, eu diria que esse, é só o fio condutor para que possamos nos envolver com os personagens da história e como a criminologia começou a ser introduzida no século XIV. Naquela época a polícia era paga para proteger os ricos e não pra desvendar a mente de criminosos. O pano de fundo de uma Nova York sistematicamente corrupta, define muito bem os valores impostos naquela época. Se você está procurando uma séria pra ter uma surpresa em quem é o assassino, com aqueles plot twists de abrir a boca, não é pra isso que The Alienist foi feito.

Acho que precisamos entender do que se trata a série pra depois saber como avaliar.
Eu comecei vendo o primeiro episódio e admito que me chamou atenção, mas que não fosse algo pra maratonar naquele momento, meses depois tornei a ver, e ela me encantou. Há pouco havia visto MindHunter uma série que pode parecer que tem a mesma pegada, mas o objetivo final é completamente diferente, MindHunter não se interessa em desvendar mistérios, ela se interessa em mostrar como o FBI criou um sistema pra entender assassinatos em série que culminou no termo Serial Killer. Diferentemente de séries onde a busca do assassino é o principal objetivo, em The Alienist acaba sendo um pano de fundo, onde o principal ponto da série não é fim, mas sim o meio. O importante aqui é a jornada. Calma, vou explicar.

A série fala sobre como o modelo da criminologia começou a ser trabalhado pelo Alienista Dr. Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), buscando padrões de comportamento dentro dos assassinatos para definir o perfil do assassino, juntamente com o seu amigo desenhista do New York Times, John Moore (Luke Evans) e da secretária do Comissário Roosevelt, sim o que viria a ser Presidente, Sara Howard (Dakota Fanning), eles começaram a jornada de investigação buscando respostas que resolvessem questões como, Quem? Como? e Porque?. E nesse ponto é que entra o outro grande pano de fundo da história. Uma Nova York de 1896, sistematicamente corrupta, onde banqueiros tem o controle da cidade e policia só serve pra proteger os ricos que mandam como querem e os pobres sobrevivem como podem. Meio familiar não?!

A série tem uma montagem super suave, com os ritmos necessários pros momentos certos. A excelente direção de arte, aliada a uma fotografia simples, mas eficaz, ajuda na imersão total do espectador facilitando o processo assimilação do contexto histórico e cultural da cidade, que uma época sem recursos ou tecnologia é capaz de nos trazer. Ressalto também o trabalho de Dakota Fanning e Daniel Brühl que fizeram uma excelente imersão aos personagens com toda as suas dores e angústias explicando perfeitamente a existência da cada personagem e seus anseios. O único "pesar", que da pra ser dizer é que a série acabou com um tom de inacabada, as vezes estamos acostumados a ter finais felizes, emocionantes, e The Alienist foge desse clichê. Se preparem pra algo frustrante e com uma pitada de To Be Continued... porque a segunda temporada já foi confirmada pela TNT pra 2019, será chamada de The Angel Of Darkness, também homônimo ao livro de Caleb Carr, continuação do The Alienist. Por fim acho que dessa série podemos tirar que nem todas as séries sobre assassinatos, são sobre o assassino, algumas podem ser apenas sobre a frustrante decepção de saber que não conhecermos tão bem a mente humana como deveríamos.