Abaixo o Povo Bobo! Não somos Rede Globo!

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Todos já presenciamos diversas pessoas advertindo sobre o poder de manipulação da Rede Globo na vida das pessoas. Mas o que todos devem saber sobre a mídia em geral, é que qualquer emissora ou veículo defende os seus próprios interesses e exibe a ótica sobre seu próprio ponto de vista. E olhem que legal, a “contação” de história é livre no Brasil.

Eu mesmo aqui escrevendo, posso estar exercendo alguma influência em você, leitor. Seja, pela maneira como escrevo, pontuo e até pelo vocabulário que uso, posso encontrar ou não, identificação por parte de quem está lendo – eu espero que sim.

Mas vamos voltar ao foco – A emissora do Roberto Marinho. A Globo é uma empresa privada que foi fundada em 1965, um ano após a Ditadura no Brasil. A emissora atua sob um regime de concessão, ou seja, ela tem autorização do governo para transmitir seu sinal, gratuitamente aos televisores do Brasil inteiro. Vamos rapidamente nos situar na história desta importante empresa.

Em 1968, o General Costa e Silva investiu pesado em telecomunicações, além de  criar o Ministério das Comunicações, abriu linhas de crédito para que a população comprasse televisores e concedeu isenção para emissoras de rádio e TV  para importações de produtos para o setor.

Com o passar dos anos, a Globo passou a absorver outras empresas menores em diversas cidades do Brasil e assim, criou uma rede de emissoras.

Mesmo o regime militar tendo negado alguns pedidos de concessão à Rede Globo aos quais a emissora alega terem sido devido ao seu caráter “independente”, argumento este rebatido pelo presidente Ernesto Geisel, alegando que o interesse do Governo era o de que não houvesse monopolização do setor de telecomunicações, a empresa seguiu sua expansão absorvendo empresas menores e consolidando a sua hegemonia. Conforme a própria emissora, a empresa alcança hoje mais de 98% do território brasileiro e quase 100% do total da população brasileira.

Como vimos, quase todos brasileiros assistem a Globo. Em qualquer local público em que há televisão ligada, 99% das vezes, vai estar sintonizada na emissora de Roberto Marinho. Logo, vimos que dependendo a forma como a Globo contar uma história, pode vir a influenciar quase todo o Brasil. “Que nada! É paranóia!” – pensa você.

A Globo é uma empresa com longo histórico de polêmicas.  É acusada de sufocar os movimentos democráticos em detrimento ao apoio ao Regime Militar. A própria Globo reconheceu em editorial lido no Jornal Nacional, que o apoio o golpe militar de 1964 e ao regime foi um “erro”, ou seja – Apoiamos mesmo. Foi mal, Brasil!

A Globo também atuou diretamente nas eleições de 1989 realizando edições de vídeo para influenciar  e favorecer a campanha de Fernando Collor de Melo. A ação foi confessada por Bonifácio Sobrinho (o Boni) que, em entrevista transmitida pela Globo News, contou ao jornalista Geneton Moraes Neto,  alguns detalhes reveladores sobre o principal debate televisivo à presidência naquele ano.

Na década de 1990, enfrentando sérios problemas financeiros, foi socorrida pelo governo e pelo parlamento brasileiro, que mudou artigos da constituição para permitir que a Globo captasse recursos estrangeiros.

Outra polêmica envolve novamente a emissora e as eleições presidenciais. Em 2006 e 2010, a Globo foi acusada de cobertura tendenciosa a favor de determinado candidato.

A Receita Federal notificou mais de 700 vezes a emissora sobre irregularidades fiscais, e a marca Globo aparece vinculada a contas em paraísos fiscais e em atividades de negociações fraudulentas para exibição da Copa do Mundo FIFA 2002. A Globo já  fora condenada a pagar mais de R$615,00 milhões em multa à Receita Federal, porém, o processo referente a este caso desapareceu misteriosamente da Receita Federal no Rio de Janeiro.

Mais uma polêmica envolve o Programa Criança Esperança, realizado pela emissora em parceria com a Unesco.  Há boatos de que a emissora repasse apenas 10% do valor arrecadado nas doações para a Unesco. Boato este contestado pela própria emissora.

Em 2016, jornalistas holandeses apresentaram investigação onde a Rede Globo é mencionada diversas vezes em transações financeiras internacionais, relacionadas, possivelmente, com o pagamento de direitos de transmissão da Copa Libertadores da América.

E agora, vamos a algumas considerações.

Como vimos, a Rede Globo é uma empresa,  que presta serviços de comunicação e realiza diversas transações financeiras. Sua principal fonte de renda é a venda de espaços publicitários. Não há ilegalidade nenhuma nisso, desde que sejam todas as operações comunicadas à Receita Federal e retidas as taxas fiscais usuais.

A Rede Globo não é uma empresa com vínculo ao Governo Federal e não têm nenhuma espécie de compromisso legal com o povo Brasileiro. Não há ilegalidade nisso.

A Rede Globo fornece sinal gratuito pra 99% da população brasileira. Não é ilegal isso.

A Rede Globo vende espaços de exibição em sua cadeia de transmissão, a qualquer empresa que deseje comprar espaços para propaganda. Não há ilegalidade nisso, salvo é claro, se houver sonegação de impostos nessas negociações

A Rede Globo não é responsável pelas notícias que reproduz e nem pela maneira como reproduz, desde que elas respeitem o Código Civil Brasileiro e a Constituição. Ou seja, ela narra os fatos do jeito que bem entender, a informação é abordada da maneira que melhor se encaixe aos seus interesses e já que a “interpretação dos fatos é livre” e vivemos em uma democracia, isso não é crime.

A Rede Globo não é subordinada ao seu telespectador, ela apenas cede o sinal e exibe a programação que melhor atende aos seus próprios interesses econômicos ou preferencias. Isso não é crime!

A Rede Globo não é obrigada a realizar nenhuma espécie de obra social ou assistencial, nem ao menos a destinar gratuitamente em sua programação, espaço ao seu público ou à sociedade civil num todo. Isso não é obrigação de uma empresa.

A Rede Globo não é obrigada a exibir conteúdo democrático, nem a dar espaço para movimentos sociais, grupos humanitários, e nem em seguir nenhuma normativa ou censura de conteúdo, a não ser é claro, as diretrizes do Grupo Globo e a censura de idade. Isso não é crime.

A Rede Globo vende espaço para exibição e a participação de artistas em seus quadros de programação. Isso não é crime, se declarado em nota fiscal.

A Rede Globo não é o Diário Oficial da União! Ela está presente, na quase totalidade dos lares brasileiros, diariamente noticiando fatos históricos sob uma ótica parcial. Isso não é crime. É exercer a democracia e fazer valer seu próprio direito de expressão e atender ao seu próprio interesse.

Baseado em tudo isso, a gente vê que a Globo é uma empresa que atua conforme suas políticas próprias e a favor de seu próprio interesse. Isso não é errado ou crime. Todas as empresas privadas são assim, principalmente, grupos de comunicação. Cada grupo tem o seu público alvo, seus clientes próprios que podem ser empresas, governos, pessoas físicas, e todas têm sua maneira de noticiar os fatos, montar a grade de sua programação e claro, comercializar seu espaço pelo valor que achar que deve.

Troca de favores, vantagens e valores financeiros entre emissoras e poder público sim é crime e caracteriza corrupção.

Inadmissível são as pessoas defenderem a imparcialidade destas empresas e cansativo é ler outras pessoas taxando estas empresas de antidemocráticas, golpistas e manipuladoras.

São apenas negócios! Se todo e qualquer cidadão tiver isso em mente, fácil seria o entendimento e o surgimento de uma sociedade mais questionadora, atuante e menos espectadora e passiva sobre os fatos. E isso, definitivamente, não é crime. Crime é a nossa omissão.

Crime é não exercermos nós a nossa democracia e a opção de escolha. Basta desligar a televisão ou trocar de canal e buscar notícias em jornais impressos sempre verificando as fontes.

Não acredite em tudo que lê e nem em tudo que ouve. Cada pessoa conta a história de um jeito e cada pessoa tem seu próprio interesse em uma mesma história. Sem contar que cada pessoa, vê os fatos por sua própria ótica.

Em tudo há uma verdade e para o mesmo fato, podem existir várias mentiras. Questione.

Abaixo o Povo Bobo! Não somos Rede Globo!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Xala Man

Cássio Abreu ou Xalaman é empresário, proprietário do Estúdio e Produtora Navarro. Agitador cultural, músico, compositor, além de Técnico em Eletrônica e Guia de Turismo Nacional. Atuou por mais de uma década como Roadie de diversas bandas do cenário gaúcho e também como operador de áudio em rádios e TVs do Estado. Cursou Jornalismo na Universidade do Vale dos Sinos e áudio no Instituto Gaúcho do Áudio Profissional.