Ou uma história muito antiga sobre o ou

Ou uma história muito antiga sobre o ou

Ou eu ou você ou nós

OU

Uma história muito antiga sobre o ou

OU

Um fato muito recente de outro

OU

Inevitáveis fados

OU

A cerca do apodrecimento das maçãs mordidas

OU

Da doçura que se desmanchou por dentro

OU

Da falta de fadas quando caem os dentes

OU

Quem sabe sobre um personagem

OU

Quem sabe sobre uma pessoa real

OU

Nós

OU

Você

OU

Eu

   OU…

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    Ou simplesmente não saiba o que fazer para o final. E isso me persegue todos os dias de minha vida. Não saber dar fim aos ciclos. Nunca conseguir dizer: A-C-A-B-O-U… E as coisas acabam. Nós que fantasiamos eternidades. Continuidades. Mas as coisas são findas, fugazes, efêmeras, meros instantes no instante da existência. Ou não é nada disso e só estou tentando parecer um pouco inteligente para você que me lê. Entrando em deliberações cheias de um existencialismo que sei agora haver em mim. Em você. Em nós. Quando digo nós, quero com isso dizer que pouco me importam as outras pessoas. Já existem tantos “eus” chafurdando feridas que se um de nós, não desviar o olhar a tempo, e ver a ferida aberta de outro alguém… Ou não sei, ou sei e finjo não saber, pois, ou me acabo ou saberei não haver ou. Ou me importam e não sei. Ou sei lá. Ou só sei que estou cansado. Ou estava… Desculpem, mas avisei: “Ou simplesmente não saiba o que fazer para o final”. E isso posso dizer com segurança: Trata-se de um final. Um último conto para descontar. A dor que sinto ao escrevê-lo é maior ou igual à necessidade de fazê-lo. Ou por uma necessidade inconsciente de dar alguma ordem ao caos… Ou por uma necessidade instintiva de por algum caos na ordem.

Ou escrevo estas linhas finais. Ou desisto por aqui. E não posso. Sabe quando a gente não pode? Que é inevitável? Pois é… Estou me sentindo assim agora: Como quando ou te beijava ou… E não beijei. E foi ou.

Então: Ou escrevo ou escrevo.

Ou é uma história ou não é. Não sei ainda. Ou faz parte de um contexto bem elaborado cheio de figuras de linguagem ou só um monte de palavras amontoadas e jogadas quase aleatórias no papel: Como quando tu te despedias, em uma noite de inverno, e queria te dizer tanta coisa sendo que bastaria dizer: TE AMO!… Ou possa usar uma personagem ou tendo em vista a constatação, hoje pela manhã, de que já faço isso o tempo todo, simplesmente seja eu mesmo. Ou sim… Ou não. Ou você podia não ter partido.

E é ou por escrever que agora escrevo ininterruptamente. Só sei ser assim: Excessivamente constante até a inconstância. Ou sou assim ou não sou. E hoje pela manhã descobri que posso ser… Não! Descobri que sou. Ainda sou. Sou ou. Ou. E fui tomado por uma espécie de alegria e vontade de viver e de continuar e de tomar banho de chuva e de te dizer que. Mas isso foi depois do corpo todo tremendo incontido. Tomado por uma espécie de medo ou coragem ou de pavor ou de ímpeto ou de ódio ou de amor ou de ou.

Ou faço isso direito ou não faço. E vou fazer. Permitam-me tentar. Ou acordei ou fui acordado ou os dois juntos, pois tenho a impressão de que até a bem pouco tempo havia uma presença aqui. A forte impressão de que o onírico não desistiu de mim embora eu tenha desistido dele. Mas isso foi há muito tempo. Ou aconteceu no mesmo instante em que soube ter de abandonar tudo para ficar com você ou não teria acontecido, e aconteceu. Ou não… Não lembro… Ou sabendo que escrevo essas linhas confusas e aparentemente sem sentido quase explicativas só para você as ler e compreender,  vagamente um pouco de tanto ou ou ou… Simplesmente não leia. Assim como eu tantas vezes prometi ou isso ou aquilo e nunca cumpria. Sabe? A vida dá tanta porrada que, ou você acostuma a apanhar ou aprende a bater. Mas deixa que continue aqui ou tentando ou só arrumando uma desculpa para suportar ter ferrado com tudo. Pensei em ou te contar um conto de fadas bem bonito, ou te dizer um poema de amor, ou comprar um livro com uma linda história onde todos são felizes para sempre porque ou faço direito ou não, já disse e quero te falar tanta coisa que em outrora ou falava ou te perdia. Quero continuar e para isso ou invento uma fé que me mova ou desisto por aqui, mas para isso sempre achei que é preciso ter uma coragem muito grande e ou se nasce corajoso ou não.  E eu ou não. Nunca fui bom com as palavras que carregam sentimentos. Por isso ou escrevo ou não digo. E sei que ainda tudo está muito doído e recente e confuso e que não foi por mal. Comigo nunca daria certo mesmo é que só sei ser ou… É melhor assim ou não… ou… não sei dizer.

Jonatan O Borges

Jonatan O Borges

Jonatan O Borges - "Corpos (IN) Versos". – Poeta performático, ator, mediador de leitura (Proler), contador de histórias, editor de conteúdo da Entreverbo Revista, Ativista cultural, filho da lua e ser aberto à possibilidade da existência de tudo.