Flávio Basso entra para a história

Muito se falou da Morte do Júpiter Maçã nesta semana, nas redes sociais e na  imprensa, todos noticiaram, deram seus depoimentos e revelaram suas lembranças de TNT, Cascavelletes, Júpiter Maçã e os Pereiras azuis, carreira Solo, etc…

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Muitos também perguntaram: Por que só agora? Ele estava ali, todos podiam falar com ele e falar dele quando quisessem, mas, o anúncio da morte, a oficialização, criou uma onda onde o nome Flávio Basso/Júpiter Maçã/Júpiter Apple foi o mais citado e acessado na internet, e é sobre isso a coluna de hoje.

Quando Getúlio Vargas meteu um tiro no coração no Palácio do Catete no RJ em 1954 escreveu no final de sua carta testamento a frase que explica muito deste sentimento pós-morte de pessoas públicas: “Saio da Vida para Entrar para a História” nosso querido Flávio Basso passa a ser lembrando no exato momento de sua passagem como parte da História da Música do Brasil e do Rio Grande do Sul, e todas as suas histórias, boas ou ruins, conflitantes ou engrandecedoras, serão lembradas com saudosismo, é da natureza humana sentir saudade do que não é mais alcançado.

Mas em todos os depoimentos notamos uma “saudade” das pessoas com a música feita no Rio Grande do Sul, mais do que o engrandecimento do artista, a exaltação e o saudosismo focavam nos shows, nos eventos ao ar livre, nos bares e lugares que não existem mais, ou que hoje são somente sombra do que acontecia no passado (caso do Bom Fim) as pessoas somaram isso, a falta de ver estes artistas de novo nas ruas tocando, com mais um artista que nos deixa, a melhor frase, que resume tudo, o sentimento de perda, a partida de um ídolo, eu ouvi lá no Velório do Flávio Basso, no Teatro renascença às 09:30hs da manhã do dia 22/12.

– Nós Músicos só estamos nos encontrando nos velórios dos nossos colegas!

Pensei no Prefeito, pensei no Vice-prefeito, No Governador, No Vice-Governador, nos Secretários de Cultura de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, pensei em muita gente que está no governo, e não pensei pejorativamente não, queria que eles ouvissem esta frase, quando vamos nos encontrar nas ruas de novo? É mais bacana, muito mais bacana do que rever os colegas em um velório.

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Obrigado Flávio Basso, sua música entrou pra História, Oficialmente.

Duda Calvin

Vocalista da banda de Punk Rock Tequila Baby, Duda Calvin também é professor de história formado pela UFRGS e recentemente na PUC.