13 Reasons Why

Critica

[Contém Spoiler]13 Reasons Why é uma série que retrata o invisível. Ela explicita como o Bullying, o assédio sexual, a misoginia, a homofobia e a negligência dos pais, podem afetar na vida dos adolescentes. A trama se passa algumas semanas após o suicídio de Hannah (Katherine Langford). O protagonista Clay Jensen (Dylan Minnette), recebe em sua casa 13 fitas k7, contando os motivos pelo qual Hannah se matou. Ao desenrolar da série, Clay vai ouvindo as fitas e descobrindo o que aconteceu e como ele ou alguém poderia ter feito algo pra mudar o fim trágico.

A série é baseada no romance homônimo, escrito por Jay Asher e foi adaptada por Diana Son e Brian Yorkey para o NETFLIX. Teve a direção de Tom McCarthy nos EP. 1 e 2, de Helen Shaver nos Ep. 3 e 4, de Kyle Patrick Alvarez nos Ep. 5, 6 e 13, Gregg Araki nos Ep. 7 e 8, de Carl Franklin nos Ep. 9 e 10, e de Jessica Yu Ep. 11 e 12.
Nesse pouco tempo de vida, a série tumultuou as redes sociais, criando uma discussão sobre o tema que ela retrata. Muitas teorias se lançaram, principalmente através de depoimentos de alguns psicólogos, sobre como a trama pode ser prejudicial, se tornando um gatilho para pessoas que estão em algum estado/ponto de suicídio e que isso pode ser, em proporção, muito maior do que alerta que ela carrega.
Sobre isso, pra mim é justamente o contrário, a série pode trazer um alerta maior a pessoas que não tem o entendimento sobre o processo, pois há um "convenção profissional" na mídia jornalística de não divulgar notícias sobre suicídio afim de não tornar de exemplo pra outros. Acho que esse tipo de monopolização da informação já está defasada, hoje quanto mais informações tivermos, mais poderemos defender e ajudar pessoas que tenham tendência, seja pelo motivo que for. Nos EUA, teve um aumento de 445% de atendimentos depois do lançamento da série. Não estou defendendo a publicidade do suicídio, mas um pouco mais de informação é sempre útil, e numa era onde a informação é rápida e constante, deixar a sociedade as cegas para assuntos tão delicados, chega a ser um desserviço social. E é justamente o que a série não faz, e por mais que tenha duas cenas de estupro e a fatídica cena do ato, não é por uma "googleada" que não saberíamos dessas coisas ou pior. Por isso eu acho que a série acerta em retratar o problema não só da visão da "vitima", mas da relação "imprintada" em cada pessoa acerca dela, seja motivo ou não da causa. A forma como trata falta de responsabilidade da escola e do despreparo dos profissionais, do descaso dos pais com os filhos, do assédio sexual velado nos jovens e suas ações livres de punições, são importantes retratos de nós mesmos, e até por isso, nos prendemos até o final com a falsa esperança de que talvez ela esteja viva, esperando aquele final feliz, porque no fundo, vendo a série, acabamos nos sentindo um pouco culpado por já ter agido de alguma forma parecida ou que poderíamos ter sido melhor com o próximo.

Em quesitos técnicos os diretores conseguiram entrelaçar os fatos deixando o telespectador totalmente amarrado em cada episódio, ficando com cada vez mais perguntas nas nossas cabeças. Conseguir tirar o foco somente do drama pessoal e ampliar o horizontes de responsabilidades e ainda sim deixar claro que o suicídio e uma escolha e não uma condição, fez com que possamos discutir abertamente sobre o tema falando sobre a série. Na fotografia troca de temperatura de cor afirmando as transições temporais é bem executada nessa série, a ferida na testa de Clay, também ajuda a aferir a situação temporal da trama.  O protagonista tem um rosto carismático e ajuda na criação do vínculo com a série, trazendo o público pra mais perto do fio condutor do roteiro. A diversidade de personalidades e representações também é um ponto a favor, pena não serem totalmente trabalhadas como poderiam. Alguns pontos sobre roteiro como a falta de uma cobrança maior da Mãe de Clay sobre o que acontece com o filho, o clichê do pai distante, a "tentativa" do Alex de se matar que ficou sem explicação da razão e o que aconteceu com ele, o Tyler se mostrar um colecionador de armas e um possível atirador em escolas e cinemas, são pontos que ficaram sem resolução, parecendo que a série ficou incompleta. Porque apesar de a série ser sobre a morte de Hannah, o protagonismo é do Clay e dos outros. E eles não poderiam ter ficado sem uma resolução. Mas isso também pode ser facilmente resolvido, e acho que será, na segunda temporada que foi confirmada pela NETFLIX, será que saberemos mais sobre a Hanna? Só ano que vem.

Por enquanto vamos ver outras séries, indico Sense8, se você é daqueles que acreditam no sensitivo, que existe energia e empatia em algumas pessoas e parece ser inexplicável e também gosta de diversidade e apoia um mundo mais livre, veja Sense8, a segunda temporada foi lançada agora no inicio de maio e será a próxima crítica.

Essa foi a minha primeira crítica aqui nesse espaço maravilhoso que é a NO PALCO. Que sites assim sobrevivam ao descaso da cultura que há no nosso país. Espero que tenham gostado, não tenho data específica pra postagem de críticas, assim que lançarem, séries e filmes, estarei por aqui deixando a minha opinião. Se gostarem compartilhem, se não, tudo bem, que bom que somos diferentes.

Grande abraço!